Satelitismo plaquetário, ação do anticoagulante ou patologia?

Satelitismo plaquetário é um fenômeno que ocorre em esfregaços sanguíneos à partir de amostras colhidas com EDTA. Ainda não se conhece o mecanismo exato dessa ocorrência, mas alguns estudos propostos indentificaram que auto-anticorpos presentes no plasma reconhecem e se ligam a um epítopo da glicoproteína IIb (GPIIb) , integrante do complexo GPIIb/IIIa da superfície plaquetária promovendo a aglutinação das plaquetas. Esse epítopo só é exposto em presença de EDTA.

No satelitismo as plaquetas formam “rosetas” em torno dos neutrófilos, mas também podem ser vistos em monócitos e eosinófilos. O número envolvido na formação das “rosetas” é variável.

Para que  seja excluída a possibilidade de  diagnóstico de pseudotrombocitopenia , amostras obtidas com citrato de sódio, heparina ou oxalato de sódio forneceriam a contagem correta.  Quando há suspeita de pseudotrombocitopenia , o diagnóstico pode ser confirmado fazendo a contagem de plaquetas , imediatamente após a coleta do sangue em EDTA, e repetindo-se após 1 ou 4 horas, quando é verificada uma queda gradual nos resultados obtidos.

A avaliação cuidadosa do esfregaço sanguíneo é imprescindível para a caracterização de casos de pseudotrombocitopenia , pois nele será evidente a presença de grumos de plaquetas que, em geral são mais frequentes na porção final da cauda do esfregaço sanguíneo.

Fonte:  Dusse, L et al. Pseudotrombocitopenia. Artigo de Revisão

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S16764442004000500007&script=sci_arttext

A cura pelas bactérias – Revista Veja

Epidemiologia

O estudo dos micro-organismos em nosso corpo revoluciona o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças como obesidade, câncer e diabetes

 

Em nosso corpo, há dez bactérias para cada célula. Juntos, esses 100 trilhões de micro-organismos pesam em torno de 2 quilos — cerca de 500 gramas a mais que nosso cérebro. E é a partir desses minúsculos, mas poderosos, micróbios que uma revolução está acontecendo na medicina. A identificação e estudo do microbioma humano — nome dado a esse conjunto de bactérias — pode, em menos de uma década, transformar o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças como obesidade, câncer, diabetes ou transtornos mentais.

“Em pouco tempo, vamos tomar medicamentos compostos de bactérias para tratar a depressão, em vez de Prozac”, afirma o médico e neurocientista John Cryan, que estuda a relação entre o microbioma humano e o cérebro na Universidade College Cork, na Irlanda. “Estamos estudando o funcionamento disso em humanos, mas os resultados são promissores e a ciência está avançando tão rápido nesse campo que, em um ou dois anos, deveremos ter publicações científicas capazes de produzir esse tipo de droga.”

Projeto Microbioma Humano — O conhecimento sobre as bactérias que nos compõem é recente. Pelo menos desde o início do século XX os cientistas sabem que as bactérias que vivem em nosso corpo ajudam na digestão e na absorção de energia. O que os pesquisadores não sabiam é que o número de micróbios convivendo conosco era tão vasto e que sua atuação vai além da quebra e produção de substâncias em nosso corpo, podendo ser determinante no combate de doenças e até em nosso comportamento.

O ponto de partida para essa descoberta foram dois estudos publicados em 2004 sobre a atuação desses micro-organismos no comportamento e no desenvolvimento de quadros de obesidade. Pesquisadores japoneses mostraram que camundongos biologicamente alterados para crescerem sem nenhuma bactéria exibiam níveis muito elevados de hormônios do stress. Nos Estados Unidos, uma equipe de cientistas mostrou que o mesmo tipo de camundongo tendia a ser mais magro que os animais normais — e ganhava peso se recebesse as bactérias de um camundongo comum. Foi o gatilho para que diversos grupos ao redor do mundo se interessassem pelo assunto, que poderia ser o elemento que faltava para a compreensão de doenças crônicas como diabetes ou Alzheimer.

Três anos depois, os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) começaram o Projeto do Microbioma Humano, com o objetivo de mapear todas as bactérias de nosso organismo. Usando o conhecimento de sequenciamento de DNA do Projeto Genoma, também do NIH, 80 instituições de pesquisa mostraram que somos formados de mais bactérias que células. Essas primeiras informações, publicadas em 2012, serão compiladas e decifradas até 2015, quando termina o programa que já consumiu 153 milhões de dólares (cerca de 350 milhões de reais) do governo americano. Na Europa, um consórcio entre instituições de oito países começou em 2008 o mesmo trabalho.

Em conjunto, os dados desses dois projetos provocaram a explosão do número de estudos sobre o impacto das bactérias na saúde humana. No ano de 2004, o site PubMed, que compila publicações científicas reconhecidas internacionalmente, registrava 166 estudos. Só nos oito primeiros meses de 2014, foram publicadas 2.141 pesquisas sobre o assunto — doze vezes mais que há dez anos.

“Vivemos uma nova compreensão do que são as doenças e a manutenção da saúde”, diz o gastroenterologista Dan Waitzberg, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Estudos recentes mostraram que nosso corpo possui cerca de 500 bactérias que jamais tinham sido vistas. Esse é um campo extremamente desconhecido e que está trazendo muitas revelações para a medicina.”

Evolução médica — De acordo com Waitzberg, o conhecimento que virá da análise e interpretação do microbioma terá impacto profundo em todos os campos da saúde. “Em cerca de cinco anos, máquinas mais potentes de sequenciamento de genes poderão fazer o mapa da composição das bactérias de cada indivíduo. Com ele, será possível melhorar o diagnóstico e a prevenção de doenças, pois a falta ou multiplicação de alguns grupos de micróbios pode indicar a presença ou o potencial desenvolvimento de enfermidades”, diz o médico.

Além disso, o conhecimento do tipo de bactérias presentes em nosso corpo também produzirá novos medicamentos para tratar enfermidades que ainda são um desafio para os cientistas, como diabetes ou câncer. A aposta dos cientistas é em probióticos, isto é, bactérias vivas consumidas na forma de iogurte, leite fermentado e cápsulas, normalmente usados para melhorar a digestão, ou em medicamentos que combinem tipos específicos de bactérias para agir diretamente nas enfermidades. Os cientistas já sabem que pessoas com câncer de cólon têm alterações importantes nas bactérias desse segmento do intestino. Assim, equilibrar esse microbioma por meio de uma drágea poderia ser uma maneira de prevenir a incidência da doença e impedir seu crescimento.

“Nos próximos três anos, haverá muitos probióticos novos no mercado — já há alguns na Anvisa, aguardando a aprovação. Eles serão um apoio para a dieta, que tem grande influência no microbioma e será modulada de forma a melhorar a saúde e prevenir doenças”, afirma Waitzberg.

Outro campo promissor é o que está sendo estudo pelo grupo do epidemiologista brasileiro Luis Caetano Antunes, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Em uma pesquisa publicada no fim de julho na Revista da Sociedade Americana de Microbiologia, Antunes demonstrou como uma substância produzida por um dos grupos de bactérias presentes no intestino é capaz de barrar a infecção causada por Salmonella.

“Essas moléculas produzidas pelos micróbios do nosso corpo que impedem infecções traz grande potencial terapêutico. Da mesma forma que elas impedem a Salmonella, poderiam  combater qualquer outro tipo de infecção”, diz Antunes. “São trilhões de bactérias, milhares de espécies que podem gerar centenas de novos produtos interessantes para nossa saúde.”

O objetivo do laboratório de Antunes, um dos únicos no Brasil que se dedicam a estudar o microbioma humano, é desenvolver novos tratamentos para a tuberculose. “Se encontrarmos bactérias do trato respiratório que produzam moléculas capazes de combater essa doença, podemos desenvolver um tratamento adicional. Será um apoio para os médicos e uma alternativa quando os antibióticos não fizerem efeito, como é o caso de bactérias multirresistentes.”

Combate à obesidade — A relação do microbioma humano com a obesidade e o comportamento humano são as duas áreas com pesquisas mais avançadas. Há alguns anos, os cientistas sabem que há uma relação próxima entre a obesidade e alterações na flora intestinal.

A progressão dessas pesquisas, que deverá determinar se é um organismo obeso que produz alteração na microbioma intestinal ou o contrário, poderá transformar a forma de combater a epidemia mundial que atinge quase um terço da população, além de fornecer pistas sobre o funcionamento de doenças relacionadas a ela, como diabetes. Os últimos estudos, no entanto, mostram que as bactérias de nosso intestino podem ter uma atuação muito mais complexa que uma simples relação de causa e efeito. Elas poderiam manipular o comportamento humano para ingerir certos tipos de alimentos.

Um estudo publicado no início de agosto no periódio BioEssays, por pesquisadores da Universidade da California em São Francisco e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, mostrou que, produzindo toxinas, hormônios e neurotransmissores similares aos humanos, as bactérias podem ser capazes de alterar nosso humor ou influenciar a transmissão de impulsos de fome ao cérebro. Assim, elas poderiam ter uma alimentação boa para elas e ruim para nós.

“Estamos começando a entender a obesidade como um problema que tem a ver com nossas bactérias, não só com a dieta. Acreditamos que elas tenham motivo e meios para mudar nosso comportamento. E esses efeitos podem causar obesidade”, diz o médico Joe Alcock, pesquisador da Universidade do Novo México e um dos autores do estudo. “No entanto, não sabemos ainda se o microbioma seria uma causa importante para a doença e outros transtornos alimentares ou apenas mais um dos fatores envolvidos na obesidade.”

Domínio saudável — Com esse mesmo mecanismo de manipulação, as bactérias do nosso corpo podem exercer um papel fundamental em distúrbios como stress, depressão ou autismo. Estudos liderados pelo neurocientista John Cryan, desde 2009, mostram que a microbiota do intestino tem grande influência no desenvolvimento do cérebro. E, por consequência, em nosso humor, emoções e comportamento.

“Animais biologicamente modificados para crescerem sem bactérias têm alterações no desenvolvimento do cérebro, memória e mudanças comportamentais como maior ansiedade e respostas ao stress, mostrando um perfil autista. E verificamos que alguns probióticos, ou seja, certos tipos de bactérias, como o Lactobacillus, têm efeito positivo na mente, diminuindo o stress e a ansiedade”, diz Cryan.

Isso acontece porque as bactérias enviam informações aos neurônios de várias maneiras: além dos hormônios e neurotransmissores que produzem, elas também têm influência no nervo vago, que transmite as informações do intestino ao cérebro. Por isso, garantir uma microbiota saudável desde o início da vida pode ser fundamental para o bom desenvolvimento da mente e emoções.

“Algumas das maneiras mais importantes de se adquirir um microbioma saudável é por meio do parto natural e aleitamento materno, nos quais a mãe transmite suas bactérias para o bebê. Além disso, o uso excessivo de antibióticos na infância prejudica o desenvolvimento das bactérias”, diz o cientista.

O laboratório de Cryan está fazendo os primeiros testes de probióticos que possam tratar depressão em humanos. Em um ou dois anos, ele espera ter trabalhos publicados que possam ser a base para o que chamou de psicobióticos — tipos de probióticos com efeitos benéficos para o comportamento. Seria uma forma de garantir que o domínio que as bactérias parecem exercer sobre nós, seja, ao menos, saudável.

“Acredito que nossa dieta, que sabemos que influencia nosso humor, combinado a psicobióticos que agem diretamente no microbioma, serão a melhor forma de aperfeiçoar nossa saúde, inteligência e cognição no futuro”, diz Cryan.

Fonte : http://veja.abril.com.br/noticia/saude/a-cura-pelas-bacterias (Rita Loiola) Publicado em 24/08/2014 as 08:28hs.

Estudo indica que partículas de ouro tornam tratamento contra câncer mais efetivo – BBC Brasil

Atualizado em  13 de agosto, 2014 – 12:27 (Brasília) 15:27 GMT

Partículas de ouro podem ajudar a melhorar o tratamento do câncer no cérebro, segundo uma pesquisa da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.

Cientistas conseguiram fazer esferas de ouro muito pequenas e as cobriram com medicamentos usados na quimioterapia.

Quando as minúsculas partículas foram inseridas no centro das células do tumor, estas células pararam de se replicar e muitas delas morreram.

Os pesquisadores esperam que o estudo possa levar a uma forma de enfrentar casos de câncer agressivos cujos tratamentos são mais difíceis, como no caso dos tumores no cérebro.

Câncer letal

O glioblastoma multiforme é a forma comum de câncer no cérebro e também a mais letal.

Há tratamentos para este tipo de câncer, mas a eficácia deles é limitada. A maioria das pessoas morre dentro de um prazo de cerca de cinco anos depois do diagnóstico.

Mas, agora, os pesquisadores de Cambridge criaram nanoesferas – partículas que são 4 milhões de vezes menores do que um fio de cabelo humano cortado na transversal.

No centro destas nanoesferas, estão partículas minúsculas de ouro, cercadas de camadas de cisplatina, um remédio usado em quimioterapia.

Os cientistas testaram as nanoesferas em amostras de tumores no cérebro extraídas de pacientes durante cirurgias.

Em testes realizados nestas amostras de tumores humanos, as esferas pareciam aumentar a eficácia da radioterapia e da quimioterapia tradicionais, melhorando as chances de todas as células do tumor serem exterminadas.

As células cancerosas receberam, então, uma dose de radioterapia, semelhante à dose dada nos tratamentos hoje disponíveis.

A radioterapia não apenas atacou as células do tumor, mas também estimulou os eletrons no centro de ouro das nanoesferas. Estes eletrons desencadearam uma quebra no material genético (DNA) dentro do câncer.

Este processo também levou à liberação do remédio de quimioterapia que cobria as nanoesferas, permitindo que a cisplatina agisse no tumor enfraquecido pela radioterapia.

Efeito ‘duplo’

Vinte dias depois deste procedimento, os cientistas observaram que não havia mais células de câncer viáveis nas amostras tratadas.

Mark Welland, do St. John’s College, da Universidade de Cambridge, trabalhou na pesquise e, para ele, o efeito observado foi “duplo”.

“Ao combinar esta estratégia com materiais que agem sobre células cancerosas, poderemos desenvolver uma terapia para o gliobastoma e outros tipos mais desafiadores de câncer no futuro”, disse.

“Precisamos atingir células de câncer diretamente com mais de uma forma de tratamento ao mesmo tempo”, disse Colin Watts, um neurocirurgião envolvido no estudo.

“Isto é importante, pois alguns tipos de câncer são mais resistentes a um tratamento do que a outro”, acrescentou.

Os cientistas esperam começar os testes em humanos em 2016 e estão trabalhando nas primeiras experiências envolvendo outros tipos de tumores.

Bactérias Gram-positivas – Enterococcus faecalis

Fonte CDC - Center for Disease Control and Prevention

Enterococcus faecalis são cocos Gram-positivos, frequentemente visualisados em pares e cadeias; tem uma aparência mais ovalada dos que os estreptococos. Não são exigentes e são capazes de respiração aeróbia e anaeróbia.

Quando semeados em ágar-sangue podem produzir alfa ou beta-hemólise, ou nenhum tipo de hemólise. São tolerantes à bile ( crescem quando semeados em ágar MacConkey e em bile 40% ); são relativamentes tolerantes ao calor (crescem em 45°C a 60°C ) e são halotolerantes (crescem em meios com NaCl até 6,5%); hidrolizam esculina e arginina. Possuem o antígeno D de Lancefield.

As infecções causadas normalmente pelos enterococos incluem infecção do trato urinário (ITUs), endocardite, bacteremias, infecções relacionadas ao catéter, infecções de feridas e infecções intra-abdominais e pélvicas.

O hábitat normal é o intestino humano e animal. As infecções ocasionadas pelos enterococos são provenientes de infecções cruzadas ou endógenas. São muito frequentes em pacientes hospitalizados, em transplantados de órgãos sólidos, portadores de doenças hematológicas malignas.

São suscetíveis à penicilina, penicilinas combinadas com aminoglicosídeos . São resistentes a cefalosporinas.

Indústria francesa anuncia primeiro medicamento semissintético contra a malária

Da Agência Brasil* – Agência Brasil12.08.2014 – 23h50 | Atualizado em 13.08.2014 – 00h00

A gigante farmacêutica francesa Sanofi anunciou hoje (12) a entrega do primeiro medicamento contra a malária que utiliza em sua composição uma versão semissintética do artemisini, principal ingrediente de um dos principais remédios utilizados no combate à doença. O novo medicamento foi entregue a milhões de pacientes na África.

A Sanofi disse que o desenvolvimento de um medicamento com um composto semissintético do artemisinin sinaliza “uma nova era” contra a doença, que é propagada por meio de picadas de mosquitos. Segundo a empresa, o artemisinin é normalmente derivado de uma planta, mas as condições metereológicas podem afetar as colheitas, o que causa fortes variações no preço e frequentes falhas na distribuição.

De acordo com a empresa, serão feitos 1,7 milhões de tratamentos com o medicamento semissintético, que será enviado para os países Burkina Faso, Burundi, República Democrática do Congo, Libéria, Niger e Nigéria nos próximos meses. “Ao complementar a oferta de produtos de origem botânica, esta nova opção pode aumentar o acesso ao tratamento de milhares de doentes com malária todos os anos”, disse a Sanofi em comunicado.

Segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde sobre a malária, a doença matou 627 mil pessoas em 2012, a maior parte crianças na África. Em todo o mundo foram registrados mais de 200 milhões de casos. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estima-se que mais de 40% da população mundial está exposta ao risco de contrair malária.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 99,7% dos casos ocorreram na Região Amazônica (principalmente nos estados do Pará, do Amazonas, de Rondônia, do Acre, do Amapá e de Roraima), que é considerada uma área endêmica no país. Em 2011, segundo o ministério, 69 pessoas morreram de malária. Em relação a 2009, houve uma queda de 9,2% (72 mortes). O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) produz quatro tipos de medicamentos para o tratamento da malária, que são utilizados no tratamento da doença no Brasil e em outros país da América Latina.

* Com informações da Agência Lusa

Editor Fábio Massalli

Como é o hemograma na anemia ferropriva?

A anemia ferropênica ou ferropriva, é aquela ocasionada por deficiência nutricional, absortiva ou por perdas sanguíneas (hemorragias) levando à depleção do ferro. Trata-se de um tipo de anemia incapacitante para adultos e crianças, impactando diretamente no desenvolvimento  e manutenção mental e motor.

Podemos então, relacionar as causas da anemia ferropriva:

Crianças

  • prematuridade
  • dieta deficiente ou mal balanceada
  • verminoses

Adultos

  • hipermenorréia
  • sangramento no trato digestivo
  • sangramento de outras origens
  • gestações repetidas sem complementação nutricional
  • verminose
  • doações de sangue
  • dietas vegetarianas deficientes
  • dietas deficientes por condição sócio-econômicas
  • defeitos da absorção. Ex.: cirurgia gástrica

A anemia ferropriva desenvolve-se em 3 estágios:

  1. depleção dos estoques de ferro (hemoglobina normal e ferritina baixo)
  2. eritropoese ineficiente (hemoglobina e ferritina diminuídos)
  3. Anemia (hemoglobina diminuida severamente, apresentando os sintomas clássicos – palidez severa, fadiga, taquipnéia). Nesta fase os eritrócitos apresentam-se microcíticos e hipocrômicos

 

Extensão apresentando microcitose, hipocromia, poiloquitocitose com eliptócitos. Fonte: Atlas of Blood Cells

Extensão apresentando microcitose, hipocromia, poiloquitocitose com eliptócitos.
Fonte: Atlas of Blood Cells

A anemia no eritrograma

A contagem dos eritrócitos não revela a anemia, hipocromia e microcitose tornam a contagem proporcionalmente mais altas que a dosagem de hemoglobina, o hematócrito está discretamente mais elevado.

Os índices hematimétricos refletem a anemia desde a sua instalação. O CHCM (concentração de hemoglobina corpuscular média) apresenta declínio lento e constante, já o VCM (volume corpuscular médio) apresenta um declínio insignificante até que a hemoglobina chegue aos 11g/dL,  com os níveis de hemoglobina com valores por volta de 10g/dL, sofre queda abrupta e depois estabiliza-se.

Isto é, o VCM indica a depleção do ferro claramente já entre 11g/dL e 10g/dL de Hgb. O índice HCM (hemoglobina corpuscular média) acompanha o trajeto do VCM. Dessa forma , os índices VCM e HCM já denotam a anemia ferropriva quando atingem os níveis de Hgb entre 11g/dL e 10g/dL.

Ao atingir os índices anêmicos, são observados na extensão sanguínea a presença de ovalócitos e leptócitos. Com índice RDW (distribuição do tamanho da hemácias) aumentado.

A anemia ferropriva também causa trombocitose. Outra alteração laboratorial presente é o aumento da transferrina, ocasionando diminuição da saturação da transferrina e um aumento na capacidade de ligação total do ferro.

O leucograma apresenta neutropenia, com índices entre 1.200 e 2.000/µL. Eosinofilia quando presente, demonstra infecção por parasitas.

Fonte: http://www.sbp.com.br/img/documentos/doc_anemia_carencial_ferropriva.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1516-848420100008&lng=en&nrm=iso

http://www.revistanutrire.org.br/files/v36n1/v36n1a13.pdf